O tratamento da obesidade é individual. A avaliação considera histórico clínico, contexto de vida, alimentação, atividade física e fatores de risco. O marco europeu EASO de 2024 propõe uma abordagem ampla e personalizada, em vez de olhar apenas o IMC.
1. Comece pelo padrão alimentar que cabe na rotina
Não existe uma lista única de alimentos que funcione para todos. Um ponto de partida é organizar refeições com alimentos in natura ou minimamente processados: feijão, arroz, frutas, verduras, ovos, leite e iogurte natural, carnes e outras fontes de proteína conforme preferências e necessidades. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que esses alimentos formem a base da alimentação.
Na prática, observe se suas refeições oferecem nutrientes suficientes, se os intervalos combinam com a sua fome e rotina e se a estratégia pode ser mantida. A restrição intensa, sobretudo quando há pouca ingestão de proteína, pode dificultar a preservação muscular.
2. A balança não conta toda a história
Durante o emagrecimento, parte do peso perdido pode vir de massa livre de gordura. O consenso EASO–EFAD–ECPO de 2026 sugere acompanhar também ingestão alimentar, capacidade funcional e sinais de risco nutricional. Avaliação da composição corporal pode ser útil quando indicada; ela não é obrigatória em toda consulta ou para todas as pessoas.
Proteína ao longo do dia
Inclua fontes de proteína nas refeições que você consegue fazer. O consenso discute metas individualizadas durante a perda de peso com incretinas; números por quilo exigem avaliação, especialmente em doença renal ou outras condições clínicas.
Movimento e força
Exercícios de resistência progressivos ajudam a preservar função e força. A OMS recomenda atividades de fortalecimento dos principais grupos musculares em pelo menos dois dias por semana para adultos, respeitando capacidade e orientação profissional.
3. Se você usa canetas emagrecedoras, a alimentação precisa acompanhar
Semaglutida, liraglutida e tirzepatida podem reduzir o apetite. Isso pode ajudar no tratamento, mas algumas pessoas passam a comer pouco e deixam de atender suas necessidades nutricionais. O consenso europeu de 2026 destaca a atenção à qualidade da dieta, ingestão de proteína, fibras, líquidos, tolerância gastrointestinal, força e bem-estar psicológico durante o uso dessas terapias.
- Com pouco apetite: observe o que consegue comer ao longo do dia e priorize refeições nutritivas; fracionar pode ajudar conforme a tolerância individual.
- Com náusea ou sensação de estômago cheio: converse com a equipe sobre tamanho das porções, velocidade das refeições e alimentos que pioram sintomas. Não ajuste a dose por conta própria.
- Com constipação: aumente as fontes alimentares de fibras de forma gradual, cuide da hidratação e mantenha movimento possível. O uso de suplementos de fibra depende da avaliação de tolerância.
- Com vômitos persistentes, dificuldade para ingerir líquidos ou queda da capacidade funcional: procure avaliação clínica; esses sinais não devem ser tratados apenas com uma receita ou suplemento.
Um cuidado importante: o consenso não recomenda exames extensos, bioimpedância ou suplementos para toda pessoa que usa GLP-1. A investigação deve responder a sintomas, ingestão insuficiente, perda de peso excessiva, condições preexistentes ou outros riscos identificados na avaliação.
4. Planeje também a manutenção
A obesidade pode exigir cuidado prolongado. A diretriz da OMS sobre GLP-1 situa medicamentos dentro de uma abordagem abrangente, com alimentação, atividade física e acompanhamento. Construir hábitos durante o tratamento ajuda a preparar a fase de manutenção; a decisão de usar, ajustar ou suspender a medicação cabe à equipe médica em conjunto com o paciente.
Perguntas frequentes
Preciso cortar carboidratos para emagrecer?
Não há necessidade de excluir um grupo alimentar para todas as pessoas. A quantidade e a distribuição dos carboidratos dependem da rotina, treino, condições clínicas e do plano alimentar individual.
É normal perder músculo ao emagrecer?
Alguma redução de massa livre de gordura pode ocorrer, mas perdas excessivas e queda de força merecem atenção. Proteína adequada, treino de resistência e acompanhamento ajudam a proteger a função muscular.
Quem usa GLP-1 precisa tomar vitaminas ou whey?
Não automaticamente. Primeiro é preciso avaliar a alimentação, os sintomas e os riscos de deficiência. Suplementos podem ser úteis em situações específicas, mas não substituem refeições nutritivas nem avaliação profissional.
Fontes para aprofundar
- Dobbie LJ et al. Consenso EASO–EFAD–ECPO, The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2026. DOI: 10.1016/S2213-8587(26)00122-1.
- EASO. Marco para avaliação e manejo da obesidade em adultos, 2024.
- OMS. Diretriz sobre terapias GLP-1 para obesidade, 2025.
- OMS. Recomendações de atividade física para adultos.
- Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira.
Conteúdo educativo para adultos. As recomendações do consenso sobre incretinas não abrangem gestação, amamentação ou planejamento de gravidez e não substituem uma avaliação individual.